Cinema Sensível: sensorialidades em pré e pós-cinema
O que é uma experiência real no cinema? Essa era a pergunta que conduziu minha pesquisa em parceria com José Claudio Castanheira e que virou um artigo super bacana apresentado na Mesa de Sensorialidades da ABCiber, na ESPM em Sampa. Com a pesquisa vimos que a idéia de um cinema pra ser sentido não é uma idéia nem um pouco inovadora, na verdade o cinema dos primeiros tempos até 1906 era de fato um Cinema de Atrações. Já imaginou? Amarrar um cinegrafista na frente de um trem e fazê-lo filmar o trem andando pelos trilhos… Fora os efeitos sonoros, as reconfigurações do ambiente, tudo para dar ao cinema um carater de realidade “Você vai se sentir como se estivesse dentro do trem, conhecendo muitas paisagens e seu bilhete será recolhido pelo próprio maquinista!”. Sem contar o algodão umidecido em óleo de rosas colocado na frente dos ventiladores para odorização das salas. Se a gente fica assustado com as telas do iMax, imagina essa turma do século XIX pulando das cadeiras no Hale´s Tour quando o filme mostrava um trem a toda velocidade vindo na direção da platéia. Conta-se que foi um alvoroço, o público achou de fato que a locomotiva iria atravessar a sala de cinema.
Ainda não sei se posso publicar o artigo, mas o vídeo do fantástico Cinema 4D, que andou pelos shoppings do Rio de Janeiro esse ano, você pode conferir agora. O Cinema (que de 4D não tem nada) é uma câmara com uns 20 metros quadrados e onde só entram oito pessoas por vez. Óculos pra visão 3D são necessários e segurar firme na cadeira também. Assim como no Cinema de Atrações, a narrativa no Cinema 4D é sobre transportes e não tem a menor lógica de causa e efeito. Não importa. É cinema para ser sentido, não é cinema para ser visto. É materialidade e não hermenêutica.
1 comment Novembro 18th, 2009