Tempos relativos

Para todas as disciplinas que existem a mudança é a natureza da existência – tanto do universo em sua infinitude, quanto da frágil e volátil poeira das estrelas da vida humana.

Mas, como bem explicou Freud, insistimos em querer manter as coisas como foram, ou como fantasiamos que foram um dia. Acreditamos que o passado era um tempo melhor, mais feliz e mais próspero, acreditamos que podemos retardar a mudança, boicotamos a nós mesmos resistindo bravamente aos estímulos e apelos que nos levariam a mudar.

Buscamos “solidez”, nos investimentos patrimoniais e libidinais. Consistência, persistência, solidez, segurança – é o que desejamos. E no entanto, Marx já nos advertia há 150 anos de que “todas as relações fixas, enrijecidas, com seu travo de antiguidade e veneráveis preconceitos e opiniões foram banidos: todas as novas relações se tornam antiquadas antes que cheguem a ossificar. Tudo o que é sólido se desmancha no ar.

Marx apontava para o impulso da modernidade e toda a conjuntura de mudanças que ela trouxe para o tecido conjuntivo da sociedade: o arranjo econômico, o discurso das mídias, as novas formas de disputa pelo poder, o desenvolvimento científico e tecnológico e até mesmo a constituição neurológica. Ou seja, como a cognição e os afetos foram (ou vem sendo) modelados a partir de tantas mudanças.

Você já deve ter vivido muitas mudanças de uma vez só. Positivas ou negativas, quando elas ocorrem, normalmente não estamos preparados. E jamais estaremos, porque tudo que é novo demanda um movimento, um ato, um gesto, um aceno de mudança.

Não vivemos tempos sólidos, nem tempos líquidos. Vivemos tempos relativos.

A ideia da relatividade de Einstein combina perfeitamente com as angústias humanas em relação à mudança do tempo da vida acelerado pela tecnologia: o tempo não é fixo – “quanto mais rapidamente um objeto se move, ou quanto maior é aceleração sentida por ele, o tempo passa mais devagar se comparado um observador parado”. O tempo muda de acordo com velocidade e aceleração. Você mesmo já observou a sua relação com o tempo? Quando está diante das telas hiperestimulado pela alta velocidade de notificações, como você se sente?

Além disso, a relatividade combina com esse tempo em que “tudo parece estar impregnado de seu contrário”, como disse Berman ao comentar Marx. Os julgamentos apriorísticos perdem o charme, as frases assertivas são revisadas, tudo convida a um segundo par de olhos. Assim como o rosto da Monalisa, nada parece ser o que é. A realidade é uma fração individualizada de ilusões e desilusões: cada um com seu ponto de vista, com sua parrhesía, suas neuroses ou psicoses.

Pense na cidade em que você mora. Como ela era há 50 anos? Como eram as ruas, as casas, os bairros, as lojas, os espaços comuns? O que permaneceu? Em que estado está?

Pense no seu corpo. Como ele era em suas mais remotas memórias? Como ele se transformou? Existe algo que não se modificou?

Agora pense em sua mente. Como você pensava em sua adolescência, como suas impressões foram mudando, qual a velocidade do seu pensamento, como você dialoga consigo mesmo, quais são suas crenças e o que você considera seus limites? O que mudou até os dias de hoje?

A teoria dos setênios têm insuficiências, mas, se pararmos para pensar que nosso corpo começa a morrer aos 35 anos, a resistência ao envelhecimento forja uma religião na contemporaneidade. Como diz Philips, a mudança hoje deixou de ser sazonal, para ser tecnológica e climática. É o sol que destrói a pele enquanto o celular destrói o cérebro.

Todos os impactos desses estímulos estão mapeados, as consequências do uso das inteligências artificiais para o abastecimento global de água, ou da banalização da atividade criativa humana na relação íntima com a tecnologia antropomórfica.

E ainda assim, como lidar com essas mudanças? Como podemos reprogramar a cognição para viver Tempos Relativos, e reconquistar uma possivelmente esquecida Autonomia Intelectual?

TATO é uma metodologia estruturada a partir da Terapia da Autonomia.

Explora os processos de atenção, memória e fluência verbal a partir da reprogramação cognitiva e sensorial, com o objetivo de reduzir angústias e ansiedades no cenário incessante de mudanças. Uma proposta de autoconhecimento, autoregulação, autonomia, que acompanha o compasso do tempo.

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